Tenho a impressão de que o tempo é curto. Cogito a hipótese de ter um foco. Um método. Todavia, tenho a percepção de quanto mais universal for o conhecimento, mais transversal, isso é lógico, será o meu argumento e minha construção de idéias.
Não tenho sido historicista, nem legalista em meus argumentos e discussões. Todavia, ora sinto falta dos argumentos filosóficos e ora sinto falta dos argumentos históricos. Apresento-me como vítima do logicismo acadêmico. Onde há demasiado espaço para citações e onde os avanços se dão bastante no campo da revisão e pouco no campo da criação.
Vivo numa espécie de masturbação intelectual. Onde tudo que quero é ter prazer. Esse [para academia] está presente tanto na introdução e no desenvolvimento, quanto na conclusão. Todavia, a pouca carga bibliográfica que tenho e a ideia de que é grande a carga de conhecimento, bem como, é prudente que haja bastante diálogo e reflexão sobre qualquer tema – antes de um estudo ser publicado – fazem com que eu me sinta infantil no campo acadêmico.
À medida que o conhecimento acerca de algumas temáticas avança, mais eu olho para o passado e para minhas experiências e percebo o quanto fui ingênuo. Ainda que tenha sido coerente [pois a coerência é função da racionalidade], sinto a leve sensação de que estou na infância intelectual. Quanto a coerência, ela é função da racionalidade, não do discurso.
E por quê eu me sinto na infância intelectual?
- Há tempos abandonei o discurso ferrenho de esquerda e passei a fazer análises pouco ruptórias em função de certa comoção com a conjuntura, não com o capital. E eu não sei, mas penso, que a sensibilização do sujeito que atua de forma multidimensional, é precondição para fazer justiça acadêmica e social a partir de suas observações. Acontece, que me parece que quanto mais ruptório eu tento ser, mais tradicional é meu comportamento. [Alguém se sente assim também?]
Começo a pensar que o modo tradicional, antes de ser um defeito, é uma virtude do ser que sabe agir. Talvez, ser tradicional não seja um defeito. Mas sim um método. Uma estratégia. Uma tática. Uma praxi. Mas quanto mais tradicional o tradicional é, mais me parece que ele corre o risco de ser refém de sua tática, que se dá no campo dos processos diários, e me angustia pensar que pelo fato de que as chances de adaptação do ser humano às adversidades são tão grandes, que ele pode passar a encarar seu tradicionalismo como sinônimo de desenvolvimento.
Todavia, a presunção de legitimidade advinda, ora do poder, e ora do conhecimento, permitiu a aceitação pacífica, em boa parte da sociedade, de dois fenômenos:
1. O ser humano passou a aceitar-se como camundongo de laboratório.
[Nos laboratórios, os camundongos são utilizados como cobaias que servem como objetos de destes nos quais experiências clínicas - em nosso caso, são experiências acerca dos limites sociais - são feitas].
2. O DNA dos vírus sociais foi incorporado ao DNA do ser humano. Logo, tal fenômeno torna precoce e permanente o uso do verbo decepcionar.
Mas enfim…
A infância intelectual deve ser somente parte da etapa na qual estou vivendo e na qual breve me tornarei adulto. O que faz, com que em alguns instantes, brevemente eu me torne um ser ingênuo [na próxima área que eu decidir pontualmente aprender e refletir].
